Beleza feminina: o que a Igreja diz sobre cuidados e exageros

André Cunha
Da Redação

Uma pesquisa da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (Isaps, na sigla em inglês), divulgada em julho do ano passado, apontou que o Brasil superou os Estados Unidos no número de cirurgias plásticas. Em 2013, o país realizou 1,49 milhão de operações, quase 13% do total mundial – em território americano, foram 1,45 milhão. Com o resultado, o Brasil é o campeão em operações estéticas.

De acordo com o levantamento, as brasileiras representam a maioria dos pacientes: 87,2% de todos os procedimentos cirúrgicos. Os mais procurados são a lipoaspiração (228.000), o implante de silicone nas mamas (226.000) e a operação para elevar os seios (140.000).

A grande procura por esse tipo de demanda hospitalar chama a atenção consequentemente para a busca intensiva da mulher pelo corpo ideal. Mas a questão é: até que ponto é lícito – do ponto de vista da moral católica – modificar o corpo para chegar à “beleza padronizada” pela sociedade? Ou essa procura não representa nada além de uma mudança cultural onde a mulher apenas quer ficar mais bonita?

Segundo o Doutor em Teologia Moral, padre Mário Marcelo Coelho, o grande problema não está nas cirurgias plásticas em si, mas na intenção que elas escondem. Quando a mulher decide: “Vou colocar silicone!” ou “Vou fazer uma plástica!”, segundo o padre, ela deve analisar qual a sua principal motivação: uma questão de saúde, a autoestima ou a vaidade de apenas ficar “mais atraente” para responder ao “padrão de beleza” imposto?

De acordo com o teólogo, uma cirurgia motivada pelo cuidado com a saúde ou até mesmo para elevar a autoestima é válida, considerando que isso faz parte do ser feminino. “O problema é quando a mulher faz uma cirurgia plástica trazendo, na sua intenção, o desejo de ter um corpo supertrabalhado, que responda ao desejo sexual do outro; algo totalmente erótico”.

“Quando ela se torna escrava dessa situação imposta pela sociedade, acaba se negando como pessoa e se esquece de olhar para si como alguém que tem seu valor em si mesma. Ela perde o sentido da sacralidade da vida, pois deixa de olhar para si como imagem e semelhança de Deus e passa a ser ver como imagem e semelhança daquilo que é imposto pela sociedade; e assim fere a sua dignidade”, explicou o padre.

Portanto, segundo o teólogo, o grande desafio a ser superado é o “padrão de beleza” que, por vezes, a sociedade moderna, apoiada pelas variadas mídias de comunicação, tenta incutir nas pessoas.

“A cultura determina o padrão de beleza, que pode até tornar as pessoas doentes ou escravas dessa cultura. Pode levá-las a um vazio existencial, por ser uma preocupação constante em responder àquilo que a sociedade impõe como padrão”, disse.

Para o padre, a mulher deve, sim, valorizar-se, cuidar da aparência, da autoestima, mas não fazer do seu corpo um objeto de desejo para os outros, ou seja, um escravo da cultura atual. “Somos imagem e semelhança de Deus, temos um corpo que deve ser valorizado e conservado, mas o padrão de beleza da sociedade não é o mesmo que Deus pede de nós”.

Sobre essa autovalorização feminina, padre Mário explica que isso consiste em a mulher se sentir amada por Deus e pelas pessoas que estão à sua volta. Significa olhar-se como alguém que tem dignidade em si mesma, que não precisa responder àquilo que a sociedade impõe para ser amada.

“Quando a mulher melhora sua autoestima, ela não se sente obrigada a moldar seu corpo para ser amada, aceita ou para ser vista e reconhecida. Ela encontra seu valor em sua própria existência. E como tal, vai resgatando sua autoestima como pessoa”, concluiu.

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