Esclarecimentos sobre o Abandono Público da Fé Católica e da Comunhão da Igreja por parte do Padre Wilson Vitoriano Ferreira da Silva

Após o Padre Wilson Vitoriano Ferreira da Silva ter abandonado publicamente a fé católica e a comunhão da Igreja, alguns fiéis católicos se encontram num estado de desorientação. Com a intenção de minimizar as consequências do escândalo, preparamos este elenco de perguntas e respostas de forma simples e objetiva.

Dom Vicente Costa, Bispo Diocesano de Jundiaí, excomungou o Padre Wilson Vitoriano Ferreira da Silva?

Não. Na realidade, Padre Wilson cometeu delitos (heresia e cisma) que implicam a excomunhão automática, isto é, o simples fato de haver cometido esses delitos o colocou fora da comunhão eclesial. Dom Vicente, depois de ter concedido alguns dias de reflexão ao Padre Wilson para que se arrependesse, teve de declarar a excomunhão na qual o presbítero tinha incorrido.

O que significa “excomunhão”? Trata-se de uma pena definitiva?

A “excomunhão” é uma sanção penal na Igreja. Trata-se de uma punição para conduzir a pessoa que cometeu o delito ao arrependimento e, assim, ao perdão. O excomungado é alguém que está fora da comunhão visível da Igreja, perdendo todos os direitos que fazem parte dessa comunhão. Encontramos fundamento bíblico nos seguintes textos: Mt 18,17; Gl 1,8.

A excomunhão não é uma sanção definitiva. Se o Padre Wilson se arrepender e abandonar sua obstinação no erro, a excomunhão será tirada (cf. Cânon 1358 do Código de Direito Canônico).

O que é heresia? E cisma?

Conforme o Cânon 751 do Código de Direito Canônico, “heresia é a negação pertinaz, após a recepção do batismo, de qualquer verdade que se deva crer com fé divina e católica”. E cisma é “a recusa de sujeição ao Papa ou de comunhão com os membros da Igreja a ele sujeitos”.

Quando Padre Wilson cometeu ato cismático? Ele caiu também na heresia?

Padre Wilson cometeu ato cismático quando, conforme suas palavras, “livre e conscientemente decidiu se desligar da Igreja Católica Apostólica Romana para fazer parte de uma outra família de fé”.

Além disso, o referido presbítero caiu na heresia, pois tem negado, insistentemente, duas verdades que todo católico deve professar: 1ª) Negou que a Sagrada Tradição transmite integralmente a Palavra de Deus e que precisamos dela e do Magistério da Igreja para interpretarmos corretamente a Sagrada Escritura (cf. Constituição Dogmática do Concílio Vaticano II sobre a Revelação Divina, nn. 9-10); 2ª) E negou também que a Igreja Católica, governada pelo Papa e pelos Bispos em comunhão com ele, é a única subsistência da Igreja de Cristo, isto é, ele negou que a Igreja Católica é a presença concreta da Igreja de Cristo nesta terra (Respostas a algumas perguntas relativas a certos aspectos da doutrina sobre a Igreja, da Congregação para Doutrina da Fé − 29 de junho de 2007).

Padre Wilson está interpretando a Bíblia sem a Tradição e sem o Magistério da Igreja. Isso é certo?

Não. A Bíblia não pode ser interpretada correta e integralmente fora da vida da Igreja, isto é, fora da Sagrada Tradição e sem a autêntica orientação do Magistério (ensinamentos, no decorrer da história, dos Papas e dos Bispos em comunhão com a Sé de Pedro). Na 2ª Carta de Pedro, encontramos uma importante advertência: “Deveis saber, antes de tudo, que nenhuma profecia da Escritura é objeto de explicação pessoal” (2Pd 1,20). É muito estranho quando alguém se julga mais conhecedor do verdadeiro sentido da Bíblia do que a própria Igreja, em previsão da qual e em cujo seio as Sagradas Escrituras foram compiladas.

A Igreja de Cristo subsiste unicamente na Igreja Católica. Que podemos, então, dizer das outras Igrejas e Comunidades Eclesiais?

Embora a Igreja de Cristo subsista exclusivamente na Igreja Católica, “o Espírito não se recusa a servir-se, como de instrumentos de salvação, das Igrejas e Comunidades Eclesiais separadas, cujo valor deriva da mesma plenitude de graça e da verdade que foi confiada à Igreja Católica” (cf. Decreto do Concílio Vaticano II sobre o Ecumenismo, n. 3d). Noutras palavras, a Igreja de Cristo é presente e operante através dos elementos de santificação e de verdade existentes nessas Igrejas e Comunidades Eclesiais separadas (cf. Constituição Dogmática do Concílio Vaticano II sobre a Igreja, n. 8b). “Aqueles, porém, que, sabendo que a Igreja Católica foi fundada por Deus, por meio de Jesus Cristo, como instituição necessária, apesar disso não quiserem nela entrar ou nela perseverar, não se podem salvar” (Constituição Dogmática do Concílio Vaticano II sobre a Igreja, n. 14a).

Qual a diferença entre “Igrejas e Comunidades Eclesiais”?

Os cristãos que, mesmo separados do Sucessor de Pedro, conservaram a sucessão apostólica, através do válido Sacramento da Ordem, e uma válida Eucaristia são constituídos em verdadeiras Igrejas Particulares (por exemplo: as eparquias, ou seja, “as dioceses” ortodoxas). Os grupos de cristãos que não conservaram a sucessão apostólica e uma válida Eucaristia são denominados “Comunidades Eclesiais” (cf. Carta sobre alguns aspectos da Igreja considerada como comunhão, da Congregação para a Doutrina da Fé, n. 11 − 28 de maio de 1992).

A Comunhão Anglicana é uma Igreja ou uma Comunidade Eclesial? Qual foi sua origem?

A Comunhão Anglicana é um conjunto de comunidades eclesiais, pois não conservou válida sucessão apostólica e válida Eucaristia. É formada pela associação de vários grupos nacionais, que se autodenominam “Igrejas Episcopais”. No Brasil, a presença legítima da Comunhão Anglicana se dá através da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil (IEAB).

A Comunhão Anglicana teve origem quando foi criada uma Igreja nacional na Inglaterra, no século XVI. O Rei Henrique VIII, em 1534, inconformado com a decisão do Papa Clemente VII de não reconhecer a nulidade do seu matrimônio com Catarina de Aragão, separou, com a participação do clero local, a Igreja da Inglaterra da comunhão com o Sucessor de Pedro. Passados alguns anos, o Rei Eduardo VI, filho de Henrique VIII, em seu terceiro casamento, publicou um novo ritual de ordenação muito influenciado pelas novidades da Reforma Protestante. Desde então, as ordenações anglicanas passaram a ser inválidas.

O líder espiritual da Comunhão Anglicana é o Arcebispo Anglicano de Cantuária, atualmente, Dr. Justin Welby. A Rainha Elizabeth II, como monarca inglesa, possui o título de Governadora Suprema da Igreja da Inglaterra, que é a igreja-mãe da Comunhão Anglicana.

Qual é a nova família de fé do Padre Wilson? Ele pertence agora à Comunhão Anglicana?

Padre Wilson se uniu a um grupo recentemente separado da Comunhão Anglicana. Trata-se de um grupo que se denomina “Movimento Anglicano no Brasil”. Segundo o site da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, o Movimento Anglicano é “uma outra entidade, sem vínculos eclesiásticos/legais com a Comunhão Anglicana, um modelo de igreja independente, construído sem os traços substanciais marcantes das Igrejas Anglicanas” (http://sn.ieab.org.br/tag/movimento-anglicano).

A chamada “Igreja Católica Apostólica Anglicana” faz parte da Igreja Católica?

Não. Esse nome, que facilmente confunde os fiéis, não é usado nem mesmo pela legítima Comunhão Anglicana.

Por que é tão importante a comunhão com o Papa?

Nosso Senhor Jesus Cristo quis que o serviço que Pedro exercia no grupo dos Apóstolos fosse perpetuado na vida da Igreja. O Papa, que é o Bispo de Roma, é o legítimo sucessor de Pedro, exercendo, em favor de toda a Igreja, a missão de confirmar os irmãos na fé (Mt 16,18-19; Lc 22,31). Estar em comunhão com o Papa é garantia de perseverarmos na Igreja constituída pelo próprio Salvador.

Papa Francisco recebeu, mais de uma vez, a visita do Primaz dos Anglicanos. O que isso significa?

A acolhida calorosa que o Papa Francisco sempre dedica ao Arcebispo Anglicano de Cantuária, Dr. Justin Welby, é uma demonstração do esforço da Igreja Católica em trabalhar pela unidade dos cristãos. É bom recordar, porém, que o Movimento Anglicano ao qual Padre Wilson se associou não tem nenhuma relação com o Primaz da Inglaterra.

Como proceder quando algum membro da Associação quiser me convencer de que o seguimento do Padre Wilson é o certo?

Antes de tudo, deve-se evitar qualquer tipo de enfrentamento. Em hipótese alguma ceder às discussões e provocações. Pode-se conversar num clima fraterno e respeitoso, apontando os argumentos bíblicos, teológicos e históricos que revelam a fragilidade do novo seguimento religioso. Caso, porém, não seja possível nenhum tipo de conversa, mantenham-se, pelo menos, gestos de cordialidade e de mútuo respeito.

Qual a diferença entre sacramento inválido e sacramento ilícito?

O sacramento é inválido quando não realiza o que significa, isto é, quando não é eficaz, não sendo o próprio Cristo a agir (cf. Catecismo da Igreja Católica, n. 1127).

Exemplo: quando alguém que não é verdadeiro sacerdote tenta consagrar o pão e o vinho, por mais solene que seja o rito usado, o pão e o vinho permanecerão só pão e vinho.

O sacramento é ilícito quando, apesar de ser eficaz, é realizado desobedecendo alguma disposição da lei da Igreja, a grande guardiã dos sacramentos.

Exemplo: quando um verdadeiro sacerdote que rompeu a comunhão eclesial ousa celebrar a Eucaristia, que é, por excelência, o sacramento da comunhão; age em desobediência à Igreja. É o caso do Padre Wilson ao celebrar a Sagrada Eucaristia.

O que é necessário para que um sacramento seja válido?

É a Igreja que define os requisitos para a validade dos sacramentos (cf. Cânon 841 do Código de Direito Canônico). De acordo com a linguagem comumente aceita na Teologia, além do elemento material utilizado nos Sacramentos (a “matéria”, por exemplo: a água no Batismo; o pão e o vinho na Eucaristia…) e da palavra (“forma”, isto é, as palavras pronunciadas em nome de Cristo que realizam, de fato, a ação sagrada), é necessário ter a intenção, ainda que geral, de fazer o que faz a Igreja, ou seja, a intenção, pelo menos, de conferir o sacramento como a Igreja o confere (cf. Catecismo da Igreja Católica, nn. 1113-1155)

Exemplos: 1º) Se um verdadeiro sacerdote usa pipoca e suco de laranja na celebração da Missa, não há, pura e simplesmente, consagração (sacramento inválido por causa do defeito de matéria, isto é, não foram utilizados o pão e o vinho); 2º) Se um verdadeiro sacerdote pronuncia sobre o pão e o vinho palavras inventadas, nada relacionadas com as palavras de Jesus, não há, pura e simplesmente, consagração (sacramento inválido por causa do defeito de forma, isto é, não foram utilizadas as palavras pronunciadas por Jesus); 3º) Se um verdadeiro sacerdote, usando pão e vinho, pronuncia as corretas palavras da consagração, mas não tem a intenção de atualizar o único Sacrifício de Cristo, porque concebe a Eucaristia como um simples banquete, isto é, não tem a intenção de fazer o que a Igreja faz, não há consagração (sacramento inválido por causa do defeito de intenção; cf. S. Tomás, Suma Teológica III, q. 64, 9, ad. 1).

Quais os sacramentos o Padre Wilson celebra ilicitamente?

Padre Wilson celebra ilicitamente o Batismo, a Eucaristia e a Unção dos Enfermos. Como ele está aderindo a um ramo do protestantismo, pode ser, por exemplo, que sua intenção ao celebrar a Missa se altere. Neste caso, também a Eucaristia celebrada seria inválida.

Quais os sacramentos serão celebrados/conferidos/administrados invalidamente na Associação?

Serão celebrados/conferidos/administrados invalidamente os seguintes sacramentos: a Crisma, a Confissão, a Ordem, e o Matrimônio de pessoas que foram batizadas na Igreja Católica.

Explicando:

1º) Para se ouvirem as confissões dos fiéis e dar a absolvição, além de ser verdadeiro sacerdote, é necessário ter a devida “faculdade”, concedida pelo Bispo Diocesano. Padre Wilson, portanto, já não mais poderá absolver validamente, a não ser quem se encontre em perigo de morte (cf. Cânones 966 e 976).

2º) Os ministros anglicanos, com exceção do Batismo, não podem conferir validamente os Sacramentos (cf. Carta Apostólica Apostolicae curae (1896), do Papa Leão XIII, e a prática recente decorrente da Constituição Apostólica Anglicanorum coetibus (2009), do Papa Bento XVI.

3º) Os noivos, quando pelo menos uma das partes é católica, devem trocar consentimento diante de uma testemunha qualificada, que assiste a celebração do matrimônio em nome da Igreja. Quando isso não acontece, o matrimônio é nulo (cf. Cânon 1108). Porém, quando nenhuma das partes tiver sido batizada na Igreja Católica, o matrimônio pode ser válido.

Posso continuar sendo membro da “Associação Leão de Judá Jesus Salvador”, participando das celebrações do Padre Wilson?

Não. Continuar participando das atividades da Associação constitui um grave pecado contra a unidade da Igreja. Quem, apesar de toda a orientação, continuar a ser contado entre os membros da mesma Associação dará mostras de adesão ao erro do presbítero, e, dessa forma, estará sujeito às devidas sanções canônicas.

Quem continuar a frequentar a “Associação Leão de Judá Jesus Salvador” poderá ser padrinho/madrinha de Batismo e de Crisma na Igreja Católica?

Não. O encargo de padrinho/madrinha só pode ser assumido por um(a) católico(a). Um cristão não católico, porém, pode ser admitido como testemunha, ao lado do verdadeiro padrinho (cf. Cânon 874, § 1º, 3º; § 2º).

Portanto, pede-se aos fiéis católicos que não assumam esse encargo na Associação, sobretudo em se tratando da Crisma, administrada invalidamente.

O que somos convidados a fazer em favor do Padre Wilson? O que, enfim, esse fato tão triste diz à nossa Diocese?

Toda a Diocese de Jundiaí é convidada a rezar pelo referido presbítero, para que, conscientizando-se da gravidade de seu erro, se arrependa e volte à comunhão da Igreja, que o espera, como Mãe, de braços abertos.

Esse fato tão triste revela a importância de vivermos em comunhão com o Bispo Diocesano e seu presbitério, combatendo toda forma de divisão e desunião, incrementando a formação dos fiéis, tão indefesos diante dos ataques à fé, e, enfim, fortalecendo os laços fraternos entre nós.

Por Jussane Cristina

Fonte :www.dj.org.br

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