Papa: não há lugar no clero para quem abusa de menores

Francisco envia carta sobre Pontifícia Comissão para a Proteção dos Menores, pedindo colaboração de bispos e religiosos para combater a chaga do abuso sexual contra menores

Jéssica Marçal

O Papa Francisco pede a colaboração de bispos e religiosos com a Comissão para a Proteção dos Menores, a fim de que seja garantida a segurança de crianças e adultos vulneráveis. Em carta divulgada nesta quinta-feira, 5, Francisco reitera a firme posição sobre o assunto: “não há lugar no ministério para aqueles que abusam dos menores”.

A carta foi enviada aos presidentes das Conferências Episcopais e superiores dos institutos de vida consagrada e sociedades de vida apostólica, falando a respeito da Pontifícia Comissão para a Proteção dos Menores, instituída em março de 2014.

Em julho do mesmo ano, o Pontífice se encontrou com pessoas que sofreram abusos sexuais por parte de sacerdotes (Leia aqui). “Isso me confirmou na convicção de que é preciso continuar a fazer tudo possível para erradicar da Igreja a chaga dos abusos sexuais de menores e abrir um caminho de reconciliação e de cura em favor daqueles que foram abusados”, escreve o Santo Padre na carta.

Francisco acredita que a Comissão será um instrumento eficaz para ajudá-lo a animar e promover o empenho de toda a Igreja em colocar em ação medidas necessárias para garantir a proteção dos menores e adultos vulneráveis.

O Santo Padre quer que as famílias saibam que a Igreja não economiza esforços para proteger seus filhos e têm o direito de dirigir-se a ela com confiança, porque ela é uma casa segura. “Não poderá, portanto, ser dada prioridade a outro tipo de consideração, de qualquer natureza que seja, como, por exemplo, o desejo de evitar o escândalo, porque não há, absolutamente, lugar no ministério para os que abusam dos menores”.

Também é preciso, segundo o Papa, cuidar para que se dê plena atuação à Carta Circular da Congregação para a Doutrina da Fé, de 3 de maio de 2011, para ajudar as conferências episcopais em preparar orientações para o tratamento dos casos de abusos sexuais contra menores por parte dos clérigos.

Aos bispos e superiores, Francisco indica a tarefa de verificar que nas paróquias e outras instituições da Igreja seja garantida a segurança dos menores e adultos vulneráveis. Ele pede programas de assistência pastoral, que possam contar com serviços psicológicos e espirituais.

“Os pastores e os responsáveis pelas comunidades religiosas sejam disponíveis ao encontro com as vítimas e seus entes queridos: trata-se de ocasiões preciosas para escutar e para pedir perdão a quantos sofreram tanto”.

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