Presidente do MSF Itália comenta ataques a hospitais na Síria

Mais uma vítima da guerra na Síria: o jovem Elias Abiad, de 22 anos, voluntário da Cáritas, foi morto em Aleppo. Os conflitos não param e a Síria está no centro do confronto político entre Estados Unidos, Rússia e Turquia. Depois dos bombardeios de escolas e hospitais, Ankara levanta acusações às estratégias dos outros países, culpados, de acordo com o primeiro-ministro de Erdogan, de favorecer os curdos.

A notícia da morte do jovem foi dada pela Caritas Internacional, que coloca em evidência a urgente necessidade de um cessar-fogo, mas também as condições de grave precariedade em que operam as organizações humanitárias.

O presidente da organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) na Itália, Loris De Filippi, comentou essa situação diante dos recentes bombardeios de escolas e hospitais. Inclusive um hospital que tem o apoio do MSF sofreu um ataque aéreo na última segunda-feira, 15, na província de Idlib, no norte da Síria. Até ontem, o MSF havia confirmado a morte de 11 pessoas nesse ataque.

“Há cerca de 180 estruturas de saúde atingidas desde o início do conflito, muitas das quais são nossas…A situação está sempre mais complicada, porque parece evidente como os hospitais são um alvo claro e direto neste confronto. Imaginar que os nossos colegas trabalham nestas estruturas, realmente parte o coração”.

A situação dramática na Síria se estende também ao Iraque e outras áreas de conflitos na região. Loris acredita que a Convenção de Genebra e o direito humanitário estão sendo “pisoteados” cotidianamente: destruição de hospitais e morte de civis sinalizam a barbárie do conflito.

“Acredito que respeitar o artigo 18 da Convenção de Genebra, que diz que os hospitais civis não devem ser tocados de modo algum, é um imperativo! Esperamos que as diplomacias internacionais de cada país destaquem a importância de respeitar este importantíssimo artigo da Convenção”.

Perguntado se o ataque a escolas e hospitais é uma casualidade ou se existe algum objetivo por detrás, o presidente do MSF Itália diz acreditar que há um projeto monstruoso nisso tudo. Para ele, o que parece é uma vontade precisa e direta de enfraquecer as linhas inimigas, destruindo os santuários humanitários como os hospitais.

De Filippi não deixa de mencionar o papel da comunidade internacional na resolução desse conflito, que especificamente na Síria já dura mais de quatro anos. O desejo, segundo ele, é que seja respeitada a Convenção de Genebra e o direito humanitário internacional, impedindo as atrocidades diárias em curso.

Sobre as estratégias adotadas na região, não há acordo. A Turquia acusa Moscou de querer resolver a questão só militarmente e de favorecer não só as tropas de Damasco, mas também os curdos. O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, exorta a Rússia ao diálogo para encontrar uma transição. “A Síria não é uma competição entre Moscou e Washington”, finaliza Loris.

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